terça-feira, 12 de setembro de 2017

Décimo terceiro relato: morrer

O que será que aconteceria se eu fosse sincero minha família?
"Mãe, eu quero morrer"
Será que ela choraria? Será que ela se culparia?
Não há razões para isso, ela sempre fez o melhor por mim, ela sempre fez o melhor que pôde.
Acho que seria uma grande dificuldade ser sincero também com minha irmã.
"Eu sei que não tenho motivos mas quero morrer, me desculpa"
Ela sempre se preocupou demais comigo, e tudo que fiz foi uma vez ou outra lavar a louça por ela.
"Pai, me perdoa por não ter te dado orgulho, por não ter jogado futebol com você, sempre fui muito fechado, eu sempre quis morrer, me desculpa"
Ele provavelmente surtaria, "os  adolescentes de hoje em dia estão muito mais frágeis"," vire homem, pare com essas ideias, isso é coisa de louco" ele se expressa através da raiva e não posso culpa-lo.
Eu me odeio por querer morrer, e me odeio por não conseguir querer viver mesmo com todos dando seu melhor por mim. Odeio acordar e pensar como seria bom se eu não existisse, odeio pensar tão seriamente em morrer, e me odeio por ser um covarde que mesmo querendo morrer tem medo de deixar todo mundo, de que talvez de errado.
Eu queria me desculpar com minha família que mesmo sendo ótimos, eu ainda consigo ser tão ingrato a ponto de querer morrer de verdade.
Me desculpem por tudo, me desculpem por ter valorizado mais a amizade do que vocês por diversas vezes, me desculpem por ser assim, por acordar e não querer viver.
Me desculpem também meus amigos, que sempre foram muito maravilhosos comigo, que sempre me dão apoio até quando eu sou um lixo.
E eu queria me desculpar comigo mesmo, por todo esse ódio desnecessário, por todos esses problemas que causo e por ser um covarde que não consegue simplesmente se matar.

Me desculpem.

Sr. Aglomerado de átomos

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Décimo segundo relato: Por onde iremos.

Não sei onde parei e muito menos sei onde estou, só sei que estou isolado aqui, preciso começar a me mover, não posso ficar aqui para sempre.
Quando me levanto me dá medo. Medo de errar, medo de falar, medo de fazer, medo de viver, sabe as vezes as consequências assustam e as vezes elas te apavoram.
Não sei até quando estarei aqui e nem sei até quando me sentirei assim, mas preciso começar a jogar, o fantástico jogo da vida.
Pergunto-me por qual caminho irei, sendo que nunca fui bom com escolhas, tenho medo de escolher errado, mas vou ter que escolher e pensar nas consequências depois.
Já perceberam como ficar na mesma por um longo tempo é horrível? Eu estou assim a um tempo e tudo que eu fiz foi fugir do medo e me odiar cada vez mais por causa disso.
Escolher um caminho é bom não só por que terá para onde seguir mas por que você irá sair de onde você ficou parado durante tanto tempo.

Cansei de ter medo, de ficar com medo, não quero mais me odiar, não quero mais ficar nesse lugar, chegou minha hora de começar a caminhar de novo.

Sr. Aglomerado de átomos