quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

№109: Árvore

(15 de julho de 2020)
Me sinto como uma árvore.
Sinto que todos são como árvores.
Cada um dando um fruto diferente, uma folhagem diferente, abrigamos vidas que, as vezes são nossas e muitas outras vezes não.
Cada vida que há em você te faz diferente de outro e o ambiente também nos molda, somos únicos mesmo que as vezes aparentemos ser iguais.

Eu me sinto uma árvore que secou muito antes da hora, me sinto oco, vazio. Nada floresce aqui, só sou um amontoado de galhos secos, que a mesma medida que se quebram, podem machucar quem tocar.
Nem água da jeito, totalmente seco, totalmente vazio, prestes a morrer porém durando mais do que todos imaginavam.
Quando eu falo com ela eu sinto que os fruto tentam florescer em mim, mas são flores dela, não minhas, talvez eu não tenha mais essa capacidade, ou talvez eu ainda tenha embora eu nunca vi árvores mortas florescerem.
No meio de tantas árvores cheias de vida, estou aqui, mesmo seco ainda estou vivo o bastante para escrever, talvez ainda aja esperança, talvez ainda tenha vida aqui dentro desse tronco, talvez eu de frutos um dia, ou talvez não.
Em meio a tanta vida, tantos frutos, tanta variedade nessa floresta de concreto, eu ainda estou aqui, buscando ser vida, me camuflando.

Ou eu vivo ou eu morro, espero não ser cortado, cair é decisão minha! Ou de um raio quem sabe, eu espero que seja minha.

Sr. Aglomerado de galhos secos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

№108: Crescer dói

Quando eu era pequeno eu imaginava que eu me tornaria mil coisas, astronauta, ilustrador, ator, cantor, Youtuber, lutador, escritor, dominar o mundo e etc.
Eu ainda almejo tudo isso, mas sei que nem tudo é alcançável, a realidade nos poda e transforma o que poderia ser uma grande árvore em um arbusto. Todos meus sonhos não realizados doem, todos meus objetivos que desisti doem, e no meio de tudo isso eu entendo que crescer dói e que tantas pessoas com potencial de dominar o mundo se tornam apenas arbustos de corporativas grandes, ou nem tão grandes assim.
Eu me sinto extremamente triste ao ver meus amigos se reduzindo a trabalhos que matam as suas personalidades e sonhos, me sinto triste ao ver que meu amigo que tem genialidade para fazer filmes que facilmente ganhariam o Oscar desistiu de tudo isso para sobreviver. Crescer me faz entender que está tudo bem ele desistir, ele se sente realizado com o trabalho atual dele e é isso que importa, mas me dói saber nunca vou assistir um filme dele no cinema.
As expectativas são todas minhas, ou talvez não, mas me dói crescer, saber que eu também fiz o que ele fez, eu também desisti, eu poderia ter sido mais insistente e continuado a desenhar, mas eu desisti... e agora estou aprendendo Excel para conseguir um emprego que me pague um pouco mais que o mínimo. A realidade é dura e já eu não sou tanto.
Crescer é cruel. 
Entender que seus heróis e suas inspirações são exceções e não regras, dói.
Eu sempre senti que eu tinha esse potencial, mas conforme você cresce o medo e a responsabilidade de ser grande e de almejar coisas que fazem a diferença acaba se tornando grande, a ponto de não conseguir ignorar mais.
Mas o que adianta eu reclamar de tudo isso? O que adianta eu chorar pelo leite que nunca foi derramado?
Espero que adiante de algo...
Queria ver todos alcançando seus sonhos, queria que todos que amo estivessem vivendo tudo o que almejaram bem longe daqui, que eu só visse as fotos, para que eu entendesse que ainda existe esperança para mim também e para meus sonhos, para que assim eu buscasse alcança-los.
Sim, me falta esperança, me falta força, me falta determinação, agora sou apenas um arbusto em busca de soluções.

Não desistam dos seus sonhos, sejam mais fortes que eu, mais determinados, e mais resilientes.

Eu ainda não desisti totalmente, mas só de saber que vocês não vão desistir me dá mais forças para continuar tentando mais e mais.

Sejam o que vocês querem ser, e eu vou ler meus textos que fiz para quando eu estivesse assim, afinal foi para isso que eu escrevi tanto.

Sr. Aglomerado de sonhos.

№107: Ainda estou aqui

Oii, já faz um tempo né? Como você tem estado?
Eu fiz muita coisa desde a última vez que apareci aqui, eu arrumei um novo emprego que não paga muito mas é legal, reforcei meus laços com a minha pessoa amada, saímos, nos divertimos, ficamos juntos, e ontem até compramos um cachorro! No trabalho também aconteceram coisas, estou lá a quase 6 meses, o clima não é dos melhores, não sei se todos gostam de mim, na realidade sei que alguns não gostam. Eu nunca fui tão quieto em um trabalho como sou lá, nunca me senti confortável, nunca senti que tava tudo bem fazer amizade com as pessoas de lá, não são meu tipo de pessoas, mas eles não são maus, mas algo dentro de mim me diz pra evitar. 
Então eu me calo, fico na minha e faço meu trabalho. Lá minha equipe era 3 pessoas uma menina, um menino, e eu! O menino era o favorito do setor, todo mundo gostava dele, ele era amigo de todo mundo, literalmente todo mundo do nosso setor amava ele, até eu, ele era gente boa. Sendo sincero com você, eu acreditava que seria demitido, eu cometi alguns erros, fui desatento um pouquinho mas nada que prejudicasse o trabalho em geral, mas eu sentia que alguém ia ser demitido e era eu, mas não foi eu, foi o menino, e isso é um grande problema.
Ele tinha mais experiência que eu, cometia menos erros que eu, tinha mais entrosamento com todos, mas no final eu fiquei, e isso é muito esquisito né? Não faz sentido na prática mas aconteceu e o clima ficou péssimo.
Eu me senti como o amigo pobre da criança rica e amada, onde sofremos um acidente e eu sobrevivo e ela não, é a notícia que ninguém queria receber, ninguém gostaria que fosse assim, eu não gostaria que fosse assim, eles também, quando eu e a menina recebemos a notícia eu vi a cara de decepção e pânico por ter sido ele e não eu. Eu sou sobrevivente desse acidente, todos lamentam por isso "poderia ter sido você né?", "pediram minha opinião e eu disse que preferia que tivesse sido você"(isso ela realmente falou) mas estou aqui, infelizmente ainda estou aqui.
Queria trabalhar em outro lugar, fugir daqui, mas por enquanto me falta currículo. 
Maldito currículo.

Ainda estou aqui...

Sr. Aglomerado de atualizações.