quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Quadragésimo sétimo relato: inferno

Eu tenho dezenove anos, aconteceu quando eu tinha catorze, e até hoje eu me aterrorizo por causa disso.
Nas minhas piores crises que não tem nada a ver com isso eu ainda penso nisso e tudo que estava ruim fica pior.
Quando eu tinha catorze anos eu gostava de uma garota que eu conheci no WhatsApp, nem morava na mesma cidade, nem no mesmo estado.
Um dia ela me disse as palavras que ela gostava em japonês, coisa que nem me lembro mais hoje em dia, a única coisa que eu lembro é as palavras que eu disse.

Ela me perguntou quais eram minhas palavras favoritas, e eu respondi:

"Gosto da palavra "daisuki", acho que significa "correr" ou algo assim, mas gosto do som"

Eu não pesquisei antes, eu não tinha certeza, só gostava da palavra, mas caso tu não saiba o que é "daisuki", significa "eu te amo/ eu gosto de você" eu não tenho certeza aqui agora o nível de proximidade que daisuki é usado, e isso não importa agora. O importante é que falei isso, e é algo bobo, mas lembro da sensação que tive na hora quando descobri que falei um bagulho errado, foi vergonha. Sinto isso toda vez que me lembro, isso me pesa em momentos que já estão pesados.
É bobo? É, mas existem diversos momentos da minha vida que eu fiz coisas pequenas que me envergonho e eu me lembro de todos.
São essas coisas que eu penso quando estou em um silêncio constante, são essas coisas que me prendem.
Eu vivo do passado, infelizmente não a parte boa dele.

É um inferno dentro da minha cabeça.

Sr aglomerado de átomos

terça-feira, 26 de novembro de 2019

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Quadragésimo quinto relato: amor e essas coisas

Estou desesperado por amor
Uma busca diária incansável
Nenhum canto passa despercebido
Uma panorâmica a cada segundo

Alguém consegue me amar? O amor tão real que nem mesmo eu consigo me dar?

Não estou em perfeito equilíbrio, há mais ódio que amor, a balança está pendendo para o lado que me destruirá.
Preciso equilibrar, faça isso por mim, me ame, pois não consigo, aquelas palavras que me diziam ser brincadeira doem até hoje, aqueles olhares ainda me aterrorizam a noite, aquele ódio ainda está guardado, aqui.

O amor que eles me negaram não foi apenas os deles, os medos que tenho não são apenas os meus, a gravidade pesa, pesa cada vez mais.

Se estou tentando repor, é para ver se não me torno tão amargo quanto eles foram comigo.

E hoje pela primeira vez em todo esse tempo não procurei ninguém, não senti a necessidade de procurar, apenas senti que eu tinha amor o suficiente dentro de mim, não sei se será eterno, mas vou aproveitar esse sentimento agora.

Em equilíbrio temporário

Sr. AA

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Quadragésimo quarto relato: diga me adeus

Para!!!
Eu não quero mais te ouvir!!
Estou cansado de tudo isso.
Não preciso de você, pode ir...
Estou terminando com você
Não quero ter que te ver ou ouvir
Por favor não volte, paranóia...


Sr aglomerado de átomos

Quadragésimo terceiro relato: Filas

Eu não sei mais o que sou, não sou um robô, muito menos um herói e há quem tenha dúvidas de que sou humano e outros se ainda estou realmente vivo.
Eu não entendo o que eu quero e quando eu entendo eu não tenho coragem ou talento para fazer.
Estou na fila do fracasso, olhando as outras e as invejando, escolhendo para qual eu vou. Todas parecem otimas, mas não para mim.
Cada fila parece se encaixar tão bem com quem está nela que chega a ser constrangedor, mas nenhuma se encaixa em mim. Vou ter que me encaixar em alguma, me agarrar em qualquer uma por puro desespero, qualquer coisa é melhor que o fracasso.
Foda.
É difícil escolher coisas que não te fazem bem, mas as vezes temos que fazer isso.

                       "A vida é assim."

Sr aglomerado de átomos