quinta-feira, 23 de julho de 2020

Quinquagésimo Sexto Relato: O temor azul.

Tudo mudou, tudo vai mudar, nada mais está igual a antes. 
Em semanas o meu mundo explodiu e tudo o que eu conhecia se tornou apenas lembranças, tudo o que eu sabia talvez venha a ser útil no futuro.
Esqueci de muita coisa, e agora preciso aprender de novo, do zero, porque eu mudei e agora não sei se ainda sei como andar.
Eu digo "adeus" para todos, "olá" para os novos e "te amo" para os que ficaram.
Eles estão passando por fases complicadas e mudando pra melhor, e eu também estou assim, e preciso mudar.
De andar a correr, para um dia eu poder sair do chão e quem sabe voar.
Antigamente eu diria que não tenho sonhos, hoje digo tenho alguns para realizar.
Eu quero conseguir acompanhar os que ficaram, vê-los crescer.

Eu não sou mais o mesmo e nunca mais vou ser, deixei de olhar para o chão, tento olhar para o céu. Olhar para lá me permite ver muitas coisas que doem, a luz é forte e as lembranças são tristes, mas aquela imensidão azul esconde muito mais do que pude ver até hoje.
Talvez eu me encontre lá, ou algo que nunca imaginei ver, mas por enquanto olhar para o céu é o mesmo que olhar para frente.

Esse é o temor azul.


Sr. Aglomerado de átomos


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Quinquagésimo quinto relato: Amo vocês

Eu amo vocês, juntos.
Mas eu sei que não está saudável, infelizmente o relacionamento de vocês não é feito de vitamina.
Pensar que é um adeus me machuca e eu não namoro nenhum de vocês dois, mas vi isso crescer, e torci por isso, torci mais que qualquer um, e hoje acredito que sou o fã número 1 de vocês.
Se isso dói em mim não quero imaginar o que vocês estão sentindo.
Amo vocês, juntos e separados, amo cada um de verdade, e vai chover forte hoje, mesmo de céu limpo. São vocês, e eu também.
Infelizmente não dá mais, gostaria de ter me movimentado antes para tentar ajudar, fui lento e agora as coisas ruíram.
Me dói, mas enquanto a ausência do outro deixar as estruturas de vocês abaladas, vou estar aqui sempre para ser a viga que dá um pouco mais de apoio, para cada um, até quando precisarem.

Quero ve-los bem, ambos, felizes.
Vocês sempre vão ter meu amor, vocês são minhas flores e vou cuidar de ambas mesmo que em vasos diferentes.

O futuro? veremos quando chegarmos lá, mas espero ver vocês dois sorrindo para mim.

com todo amor,
ass: Sr. Aglomerado de átomos