quinta-feira, 23 de julho de 2020

Quinquagésimo Sexto Relato: O temor azul.

Tudo mudou, tudo vai mudar, nada mais está igual a antes. 
Em semanas o meu mundo explodiu e tudo o que eu conhecia se tornou apenas lembranças, tudo o que eu sabia talvez venha a ser útil no futuro.
Esqueci de muita coisa, e agora preciso aprender de novo, do zero, porque eu mudei e agora não sei se ainda sei como andar.
Eu digo "adeus" para todos, "olá" para os novos e "te amo" para os que ficaram.
Eles estão passando por fases complicadas e mudando pra melhor, e eu também estou assim, e preciso mudar.
De andar a correr, para um dia eu poder sair do chão e quem sabe voar.
Antigamente eu diria que não tenho sonhos, hoje digo tenho alguns para realizar.
Eu quero conseguir acompanhar os que ficaram, vê-los crescer.

Eu não sou mais o mesmo e nunca mais vou ser, deixei de olhar para o chão, tento olhar para o céu. Olhar para lá me permite ver muitas coisas que doem, a luz é forte e as lembranças são tristes, mas aquela imensidão azul esconde muito mais do que pude ver até hoje.
Talvez eu me encontre lá, ou algo que nunca imaginei ver, mas por enquanto olhar para o céu é o mesmo que olhar para frente.

Esse é o temor azul.


Sr. Aglomerado de átomos


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