terça-feira, 22 de outubro de 2019

Quadragésimo segundo relato: Paranóia

Já faz um tempo que não sei se tenho intuição, acho que as paranóias dominaram e hoje eu já não sei mais se posso confiar no que eu sinto.
Ela é falsa, mentirosa e manipuladora, tantas vezes pensei que fosse a intuição e na verdade era ela tentando me confundir. Já faz um tempo que essas duas estão em guerra dentro de mim e a maldita tá vencendo, ela tem armamento pesado.
Estou como refém das duas, um refém livre para sair, mas que não consegue. Ela sabe meus pontos fracos, pontos que só de tocar me fazem ficar de joelhos sem resposta alguma.

Ela não só toca nos pontos, ela soca esses pontos, chuta, atira, fura e eu fico no chão, pedindo piedade.

Eu apenas quero que ela vá embora e leve tudo o que ela trouxe com ela, não preciso de nada disso, está aqui como uma visitante indesejada, igual a baratas e ratos. Só está aqui para tirar minha paz, não vou ficar triste se ela se for, me fará bem não sentir a presença dela nunca mais.

Sr. Aglomerado de átomos

Quadragésimo primeiro relato: Sempre pensei

Sempre pensei em como eu era diferente e como isso me tornava sensacional. Eu nunca fui tão diferente, eu nunca fui tão adaptável, eu nunca fui menos babaca do que qualquer outro, eu nunca tive ideias mirabolantes.
Nunca fui tão legal quanto prometo ser e muito menos tão engraçado. Sou basicamente a porra de um lanche meia boca de fastfood que nem a foto é tão atraente assim e o sabor muito menos.
Sou a quietude mais dramática do dia, não sou nada mais que ilustrador da vida que ilustra os próprios demônios para ter medo deles num mais tardar.
Sou uma ideia já pensada, sou tão normal quanto todos e meus diferenciais não são nada menos que minhas obrigações.
Quando você esperar demais, o que é óbvio que irá acontecer, você irá perceber que não consigo te acompanhar, felizmente todos a minha volta são rápidos demais.

Sr. Aglomerado de átomos