quarta-feira, 7 de outubro de 2020

№ 61: "Olá senhor medo"

Um passo de cada vez, mas o primeiro é sempre o mais difícil.
E sempre no primeiro uma mão me segura, a queda é quase inevitável. vejo a mão que segura meu pé, é a minha, mas ao mesmo tempo não é.
O medo é cruel e cumpre bem seu papel, papel que corta igual navalha, deixando suas cicatrizes por onde passa.

Olá senhor medo, será que você poderia me deixar viver?

to cansado de me esconder.


Sr aglomerado de átomos

№ 60 : tudo passa

Três, dois, um.
Se acalmem, não gritem tão alto.
não sei quem defender, ambos argumentos são válidos, ambos estão com raiva.
Eu ouvi os dois lados.
e não sei quem defender.
compreendo a raiva, mas não compreendo por que fazem o que fazem
aconteceu tudo o que eu achei que fosse acontecer.
e eu fui otário.
vai tudo virar 
mudar

leio vocês, são livros abertos berrando sentimentos
mesmo sem gritos
e ta tudo bem
a raiva passa
tudo passa
uva passa


Sr. Aglomerado de átomos

terça-feira, 6 de outubro de 2020

№59: Zona de conforto

Na mesma, não consigo fugir e muito menos você, estamos presos na mesma cela.
Aqui nada muda, porém está tudo bem tranquilo, estamos acostumados a viver assim, até que não é ruim.
Parece que não é ruim, é sempre tudo igual, não tem problema né? e se tiver a gente sabe como lidar.

Mentira, isso são mentiras, nada aqui está bem, olhamos para fora dessa cela e desejos aquilo que está lá fora, desejamos a mudança.
Não importa o quanto a gente ande não vamos sair dessa cela, diferente de quem está fora, eles andam tanto, andam a ponto de sumir no horizonte.
Gostaria dessa liberdade, viver assim.

E eu posso, a porta da cela está aberta, porém tenho medo de tanta liberdade.


Sr. Aglomerado de átomos