sábado, 22 de junho de 2019

TRIGÉSIMO RELATO: MEU DEUS

Nona vez tentando escrever isso, bom vamos lá.
Um tempo atrás eu surtei umas vezes, chorei muito e tudo isso foi por causa de um filme que tocou em uma ferida, uma das poucas que nunca cicatrizou e nem criou casquinha, esse filme foi como alguém colocar o dedo lá e girar.
O filme fala sobre um garoto que usa uma bolinha para voltar no passado e viver uma alternativa que ele não viveu.
Creio que tenho que dizer que eu guardo muitos arrependimentos, muitos mesmo, coisas bobas e coisas sérias, e as vezes a coisa que eu mais desejo é poder voltar e fazer diferente. Eu continuo acumulando arrependimentos dia após dia, e isso é como uma bola de neve que só eu vejo e só eu sinto, e sinto que logo ela vai estar do tamanho do Everest.
Nas primeiras 5 vezes que tentei escrever isso eu ainda lembrava do sentimento pesado e horrível, era como um furacão de sentimentos, agora não passa de uma leve brisa. As vezes eu penso como eu supero rápido as coisas porém eu não aprendo 100% com elas, aprendo uns 60%, os 40 que sobra é para eu quebrar a cara com a mesma coisa uns anos depois.
Aconteceu tanta coisa desde que eu assisti esse filme, me decepcionei com umas pessoas, me aproximei de outras, conheci pessoas maravilhosas e me afastei delas e vou me afastar ainda mais.
Aconteceu, não tem mais volta, eu deveria encarar, tentar, me esforçar, mas isso não vai acontecer. Sou um covarde e vou morrer sozinho, ninguém irá ao meu velório porque vou ter afastado todo mundo, minha família, meus amigos, meus conhecidos e até mesmo meus "inimigos".

No fim eu estarei só.

Meu desu...


Sr aglomerado de átomos.

sábado, 8 de junho de 2019

Vigésimo Oitavo: ela

Vou falar de uma tal de ELA e admito que provavelmente vai parecer estranho.

Bom, imagine um ser humano com a incrível habilidade de atrair seres humanos para perto, um ser humano que se alimenta de uma coisa diferente de cada um, esse ser humano é ela.
Ela é um ser humano que quem está perto a muito tempo entende como funciona, mas ainda assim deixa ela fazer suas presas.

Ninguém vai ser avisado, ninguém tem noção do que vai acontecer ao se envolver com ela.

Mas não se engane, ela não é uma pessoa ruim, ela é um ser humano muito bom e com intenções muito boas e por isso que tem gente que a tanto tempo do lado dela. Eles sabem como ela é, o que ela faz, mas ninguém vai falar um "A" porque eles sabem que ela precisa disso para sobreviver.

Não dê água para seu cachorro e ele com certeza irá morrer, não dê gente para ela e ela irá se destruir.

Cada um se alimenta de algo e ela também é assim, ela se alimenta de sentimentos alheios, ela adora ver todos aqueles sentimentos maravilhosos transbordando para fora das pessoas. Só para se deliciar com a ideia que vai destruir todos, e que você ficará quebrado diante dos pés dela.

Ela é o martelo, nós somos o vidro esperando ser quebrado.
Os que estão próximos dela não podem fazer nada, as mãos estão atadas, se ela não se alimentar ela vai morrer, espantar presas não é opção, mas eles mantém esse jogo sádico na esperança de ela um dia ficar satisfeita e poder viver como ser humano bom que ela é.

Ela é uma força da natureza, ela é um ser humano, ela é imperceptível, ela é inevitável.

Uma pessoa tão complexa que está tão perdida quanto qualquer um, uma pessoa tão sensacional que vai te consumir por completo e quando você perceber vai estar pensando nela.
No final ela só quer se entender e entender o que sente, ela não entende, nem percebe o que faz, ela não sabe quem ela mesma é.

Eu diria que ela é um furacão que ainda vai passar por sua vida.

Sr. aglomerado de átomos

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Vigésimo sétimo: Garoto veneno

Eu acho que entendi quando aquelas pessoas me diziam que eu gostava de me machucar.

Faço mal para eu mesmo, escolho gostar  de coisas que me machucam, bem simples eu sou meu próprio veneno, e acho difícil existir veneno mais forte.
É complicado lidar com isso, porque se busco algo novo para me interessar, esse algo vai ser algo que me faça mal, tipo escrever isso num ônibus lotado onde se alguém olhar meu celular vai conseguir ver perfeitamente e conseguir descobrir coisas sobre mim que talvez todo mundo já saiba.
Quando são pessoas se torna pior, objetos e séries você pode deixar como se fosse nada quando estiver passando dos limites, mas e as pessoas? Você pode fazer o mesmo claramente, só não vai ser muito legal, nem um pouco legal, machucar outras pessoas que as vezes nem sabem que te machucam, e muito menos fazem algo para te machucar.

A questão é essa, se ela não faz nada para me machucar por que ainda machuca? O problema sou eu, quando eu me machuco eu me sinto vivo e o vazio tem seu espaço tomado por uma dor temporária. Um dia todos que me machucam irão embora e serão substituídas por gente nova, e eu estarei me envenenando mais uma vez.

Pode parecer estranho, mas passe dez anos vagando pelo vácuo, sozinho, no vazio. É uma sensação agonizante e é assim que é viver dentro de mim, é difícil ficar tanto tempo no vazio, por isso quando tenho a oportunidade de preencher esse vazio eu preencho com qualquer coisa. Qualquer sentimento, e dizer que a dor não é fácil e divertido de se conseguir e de lidar seria mentira.

Peço perdão a todos que culpei por me machucarem, eu que fui atrás de vocês, eu que peguei a faca de vocês e enfiei no meu peito e culpei vocês.
E ainda vou continuar fazendo isso, é assim que eu vivo, é assim que me mantenho, me alimento da minha própria dor.

Sr. Aglomerado de átomos