quarta-feira, 5 de junho de 2019

Vigésimo sétimo: Garoto veneno

Eu acho que entendi quando aquelas pessoas me diziam que eu gostava de me machucar.

Faço mal para eu mesmo, escolho gostar  de coisas que me machucam, bem simples eu sou meu próprio veneno, e acho difícil existir veneno mais forte.
É complicado lidar com isso, porque se busco algo novo para me interessar, esse algo vai ser algo que me faça mal, tipo escrever isso num ônibus lotado onde se alguém olhar meu celular vai conseguir ver perfeitamente e conseguir descobrir coisas sobre mim que talvez todo mundo já saiba.
Quando são pessoas se torna pior, objetos e séries você pode deixar como se fosse nada quando estiver passando dos limites, mas e as pessoas? Você pode fazer o mesmo claramente, só não vai ser muito legal, nem um pouco legal, machucar outras pessoas que as vezes nem sabem que te machucam, e muito menos fazem algo para te machucar.

A questão é essa, se ela não faz nada para me machucar por que ainda machuca? O problema sou eu, quando eu me machuco eu me sinto vivo e o vazio tem seu espaço tomado por uma dor temporária. Um dia todos que me machucam irão embora e serão substituídas por gente nova, e eu estarei me envenenando mais uma vez.

Pode parecer estranho, mas passe dez anos vagando pelo vácuo, sozinho, no vazio. É uma sensação agonizante e é assim que é viver dentro de mim, é difícil ficar tanto tempo no vazio, por isso quando tenho a oportunidade de preencher esse vazio eu preencho com qualquer coisa. Qualquer sentimento, e dizer que a dor não é fácil e divertido de se conseguir e de lidar seria mentira.

Peço perdão a todos que culpei por me machucarem, eu que fui atrás de vocês, eu que peguei a faca de vocês e enfiei no meu peito e culpei vocês.
E ainda vou continuar fazendo isso, é assim que eu vivo, é assim que me mantenho, me alimento da minha própria dor.

Sr. Aglomerado de átomos

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