sexta-feira, 26 de agosto de 2022

№88: concreto

Minhas palavras somem ao vento, e já não sei se as coisas que construí são tão fortes, o vento bate e leva minhas estruturas como se fosse areia e a cada grão que se vai leva o tempo.
E eu me pergunto se valeu a pena todas as minhas mortes, estou buscando respostas e não encontro nada, me sinto perdido como se mapas não falassem mais nada e cada degrau que eu subo eu não sei se estou subindo ou descendo essa maldita escada.
Nada me escapa, tudo me escapa, sou tão instável que pode me chamar de bomba, infelizmente não sou a relógio isso é concreto demais e o tempo já não funciona mais pra mim, nas minhas linhas de cálculo essa variável já foi excluída e com coisas assim que se eu fizesse física todo semestre tomaria bomba.
Estou me desfazendo e caminhando para mais uma morte, mas não tenho muitas vidas sobrando, se ainda tiver uma ou duas é muita sorte. Sempre desejei coisas grandes, conquistar o mundo ou ser o melhor em algum jogo ou esporte, sempre olhei no espelho e disse "seja forte" mas agora tudo parece tão vazio, não sei mais se estou de mudança ou se apenas não restou mais nada.
Sempre me vi como uma flor que tenta florescer do concreto, e tinha como base para mim que eu ia ser o melhor, mas como as crianças da caverna do dragão estou tão longe e tão perto. Sempre almejar o topo e não ser bom em nada é doloroso, e toda essa visão mudou não sei se botei ou tirei o óculos mas se antes eu queria ser o melhor atualmente eu só desejo ser o menos pior que eu conseguir.
Estou atrasado de novo para o trabalho, estou passando dos limites e juro que não sei até quando eu serei uma carta nesse baralho.
Sigo instável e em meio a tanta areia tento manter concreto, tão duro quanto aço, as vezes me sinto como um certo palhaço e enquanto eu me sentir assim ainda serei uma carta.
Hoje eu estou sensível, mas sigo invencível.

Sr. Aglomerado de átomos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

№87: enjoado

Enjoado, estou enjoado
Enjoado dessas pessoas que se acham o centro do universo por serem bonitas
Enjoado das pessoas que se odeiam por causa da aparência
Enjoado de quem mente
Enjoado das pessoas 
Estou enjoado de tudo
Principalmente do sorvete que comi

Sr. Aglomerado de enjôos 

№86: Atrasado de novo

Hoje vou chegar atrasado de novo, eu sei que posso ser demitido e nem sei se poderei comer arroz com ovo de novo. Eu tentei mudar minha rotina, tentei fazer tudo de um jeito novo, acordar mais cedo, fiz tudo bonitinho,  mas o desanimo tem um peso e eu sempre acabo demorando. Não é como se eu odiasse meu trabalho mas meu trabalho da trabalho, infelizmente nem é físico, é bem o psicológico que o tratamento é mais caro. 
Infelizmente lá é tipo um buraco negro, que suga tudo, até a pouca luz que eu tinha, e agora estou apagado me movendo com todas minhas baterias no zero. Tão lento quanto uma tartaruga, fazendo tudo na velocidade do meu coração e toda vez que eu tento contar o tempo e os segundos eu erro e não nego, tentamos mais uma vez amanhã.
E acho incrível como o ponto de vista é importante, as vezes cem é muito e as vezes é nada.
Sem ânimo, sem energia, sem amor, sem vontade de viver, sem medos, cem pensamentos ruins.

E você que está lendo e me entende saiba que não está sozinho, e que eu te amo, então pelo menos algo em ti não está mais no zero.
Seja forte e não se deixe abalar, se precisar sabe que é só me procurar, mas não precisa se preocupar comigo também, eu sou Invencível e nada vai me derrubar.

É sério eu te amo, e sim sou Invencível mesmo, as vezes eu choro e me sinto fraco mas isso não significa que vou perder então seja forte também.


Sr. Aglomerado de átomos