E eu me pergunto se valeu a pena todas as minhas mortes, estou buscando respostas e não encontro nada, me sinto perdido como se mapas não falassem mais nada e cada degrau que eu subo eu não sei se estou subindo ou descendo essa maldita escada.
Nada me escapa, tudo me escapa, sou tão instável que pode me chamar de bomba, infelizmente não sou a relógio isso é concreto demais e o tempo já não funciona mais pra mim, nas minhas linhas de cálculo essa variável já foi excluída e com coisas assim que se eu fizesse física todo semestre tomaria bomba.
Estou me desfazendo e caminhando para mais uma morte, mas não tenho muitas vidas sobrando, se ainda tiver uma ou duas é muita sorte. Sempre desejei coisas grandes, conquistar o mundo ou ser o melhor em algum jogo ou esporte, sempre olhei no espelho e disse "seja forte" mas agora tudo parece tão vazio, não sei mais se estou de mudança ou se apenas não restou mais nada.
Sempre me vi como uma flor que tenta florescer do concreto, e tinha como base para mim que eu ia ser o melhor, mas como as crianças da caverna do dragão estou tão longe e tão perto. Sempre almejar o topo e não ser bom em nada é doloroso, e toda essa visão mudou não sei se botei ou tirei o óculos mas se antes eu queria ser o melhor atualmente eu só desejo ser o menos pior que eu conseguir.
Estou atrasado de novo para o trabalho, estou passando dos limites e juro que não sei até quando eu serei uma carta nesse baralho.
Sigo instável e em meio a tanta areia tento manter concreto, tão duro quanto aço, as vezes me sinto como um certo palhaço e enquanto eu me sentir assim ainda serei uma carta.
Hoje eu estou sensível, mas sigo invencível.
Sr. Aglomerado de átomos.
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