quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

quadragésimo nono relato: insociavel

Eu não superei as merdas, não me superei, não estou bem, ainda olho para o futuro com olhos cegos.
Não vejo nada, escuridão, sou criança e isso me dá medo, não adianta correr, não tenho para onde ir, não adianta gritar, já cansaram de tentar me ajudar.
O que restou fui eu, o medo e uma vontade insaciável e quando saciada se torna eterna.
O despertador da vida tocou e eu coloquei na soneca pela décima vez, não dá para esperar mais.
Sou vazio igual o bolso dos brasileiros, sou infeliz igual a lua que só parece alegre por causa do sol.


E se eu sumisse? 
eu não aguento mais ter que me aguentar.

alguém poderia por favor tirar minha vida?

Quadragésimo oitavo relato

O mundo gira
Gira sem parar e ele não me espera
Eu ainda estou lidando com coisas de 2014
Preciso de tempo
Gire mais devagar
Me espere
Me espere
Eu só vejo as costas
Estou mal
Tenho medo de ficar para trás
Não é choro
Tava chovendo esqueceu?
Estou molhado e encharcado
Estou pesado
Estou mal
É difícil acompanhar
Não vejo mais as costas
Onde vocês estão indo mesmo?
Onde eu estou?
Perdido
Não no espaço
Na terra
Lá é vazio
Aqui é cruel
Estou sozinho
Mesmo quando estou acompanhado
Estou mal
Falei muito
Você ainda não me conhece
Prazer, terra.

Sr. Aglomerado de átomos