terça-feira, 20 de junho de 2017

Segundo relato: o robô

Robôs são perfeitos, não cometem erros e fazem tudo da melhor forma possível. Existem diversos tipos de robôs com programações diferentes, todos perfeitos da sua forma, robôs são bons em tudo mas eles não tem rumo, não conseguem seguir em frente sem que o apontem.
Há robôs defeituosos, com problemas na programação ou nas peças, eu sou esse tipo de robô, meu maior defeito é ser consciente. Robôs com consciência são os mais desprezados, ele vai refletir antes de te obedecer, ele vai se perguntar o por quê de tudo. Robôs assim estão destinados a se transformar em outra coisa se quiser seguir em frente, ser consciente e não conseguir ter rumo não combinam​, um robô que não comete erros, que não foge da programação, e que não consegue ver um caminho pra seguir, que sabe que precisa mudar mas ainda sim não consegue, com certeza é o pior robô de todos.
Não se preocupe, você não precisa dar rumo a ele, você não precisa ajudar, ele acha que o orgulho foi excluído do sistema mas vive mais lá do que ele imagina, está preso, soldado e amarrado, colado com super Bonder Power flex gel. De certa forma ele está certo, ele não quer depender de alguém para ter um rumo, e se depender sabe que o alguém irá ir um dia, pessoas são assim, essa é a melhor escolha.
Robôs só querem sentir algo, sentimentos não estão na programação, mas eles tentam, eles podem fugir da própria lataria.
A maior maldição para os robôs é a consciência mas também é a chave para sua própria salvação.
Há muitos robôs por aí, robôs se dão bem com robôs, cada um tem um pedaço da resposta, mas o orgulho não deixa eles juntarem, matem o orgulho pouco a pouco.

Seja um robô consciente, machuca mas é essa dor que vai te salvar.

Sr. Aglomerado de átomos

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