quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Trigésimo oitavo: então


Está acontecendo uma avalanche em mim e o que sobrar de mim depois disso talvez seja quem sou.

Eu poderia dizer que não preciso de ninguém, mas é mentira.
Não sou tão independente assim, e nem tão independente de outras formas.
Eu sempre fui muito dependente, e sempre incentivei as pessoas a não serem.

Sou um livro que não lê a si próprio.

Um poço, tão fundo que se você consegue ver o fundo então você já está no meio da queda dentro dele, e eu consigo tocar no fundo. Pode parecer exagero, mas esse poço não é de agora, estou dentro dele a tempos mas sempre que começo a subir e chego perto de sair eu me jogo de novo, é um jogo masoquista que os jogadores são duas partes de mim, uma que quer me apagar e outra que quer me fazer continuar subindo, até talvez um dia sair.
E isso pode ser bobagem a olho nú, mas talvez um dia você enxergue o fundo e então tudo começará a fazer sentido e se não fizer tudo bem.
Você não precisa me compreender, sou eu quem precisa, você só está de passagem por aqui, a sua compreensão é opcional.

Sr AA.

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